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Butthole Surfers – Psychic Powerless (1984)

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Durante os anos 1980, a cena psicodélica do Texas foi relativamente moderada, quase um prenúncio do dilúvio psicodélico da década seguinte. As bases foram estabelecidas pelo demente hiper-psicodélico punk-rock de Butthole Surfers, uma das maiores bandas dos anos 1980. Gibby Haynes (vocal) e Paul Leary (guitarra) prepararam uma síntese de punk-rock do Sex Pistols, do “acid rock” de Red Crayola e do “acid-folk” de Holy Modal Rounders.

O primeiro álbum, Psychic Powerless (TouchAndGo, 1984), vem para confirmar sua natureza histriônica anarco-existencialista. Um delírio completamente desequilibrado (se assemelha a um recital de gritaria distorcida por filtros), cacofonia aguda (uma descarga contínua de distorções galácticas) e um tom épico/ apocalíptico (o ritmo, sempre fúnebre do baixo). Todos esses elementos fundem-se em Concubine, uma espécie de balada pós-industrial a lá Pere Ubu. Ainda temos o ruído brutal e demente atingindo alturas de vulgaridade pesadas em Lady Sniff, que possui uma das melhores vocalizações de todos os tempos por parte de Gibby Haynes com direito engasgos, arrotos e cuspes. Dum Dum que possui um ritmo voodoo-tribal com um solo de guitarra distorcida e empolgante, o pop-jazz de Negro Observers, o rock infernal de Mexican Caravan (com convulsões grandes de guitarras), o hardcore epiléptico de Gary Floyd onde a influência de Chrome e Red Crayola é evidente nos ruídos androides e no turbilhão de Eye Of The Chicken. Vale destacar também o ritmo veemente de Cowboy Bob (onde os crescentes gritos de morte chegam a criar um clima único) e Cherub, uma sonata de tempo para efeitos de guitarra psicodélicos que faz mutações hediondas sempre cheias de um ruído. Ou seja, o álbum é um complexo selvagem de avant-garde, hardcore e psicodelia que sempre reserva ritmos insanos e delírios macabros.

Guilherme Rodrigues

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The Deviants – PTOOFF! (1967)

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Os Deviants foram talvez o mais importante complexo da música britânica subterrânea e psicodélica dos anos 60, juntamente com o Pink Floyd. O grupo se formou em 1966 por Mick Farren, um jovem ativista que havia sido influenciado pelas sátiras políticas das canções dos Fugs (grupo que precede a grande influência de Frank Zappa ao abordar sátiras e tons políticos em suas canções). Farren foi um dos protagonistas da contra-cultura em Londres, foi membro dirigente do Panteras Brancos britânico (grupo anti-racista que além de outras atividades desejavam Rock and Roll, drogas, e sexo nas ruas e mais liberdade nos exércitos), organizador e promotor de noites alternativas, jornalista do “International Times” (órgão oficial de cultura alternativa) e político. Os Deviants eram, de forma direta e clara, simplesmente o apêndice de suas diversas atividades musicais, uma emanação jam-freak de todos os acontecimentos sociais e políticos que fervilharam durante a década.

O primeiro álbum, Ptooff (Underground Impresarios, 1967 – Decca, 1969 – Psycho, 1984), é uma fantasia de pesadelos adolescentes que atinge um equilíbrio entre o trash-rock das bandas da garagem e do comentário social dos Fugs. A criação em si é brilhante e vertiginosa: Farren realiza todo o complexo musical a partir de ritmos marciais e alcoolizantes, riffs estranhos, um baixo a lá Zappa, e até um tom pastelão como em People Of The City, vômitos alucinógenos como em Garbage, o pesadelo tribal e tecnológico de Nothing Man, mini-trilhas sonoras alternativas em Deviation Street e por fim, a sonoridade a lá Stooges em I’m Coming Home.

Com apenas 35 minutos de pura psicodelia, Ptooff passa a sensação de uma experiência muito boa para um tempo tão curto. A criatividade de Mick Farren e a sintonia de seu grupo ainda fariam Disposable (Stable, 1968 – Get Back, 1998) e Mona The Carnivorous Circus (Transatlantic, 1970 – Psycho, 1984 – Get Back, 1998) que são quase tão bons quanto esse aqui. Imperdível mesmo é deixar de conferir uma banda que transita entre o político e o social numa sonoridade underground e de garagem, prática de banda que ainda ficaria popular e visível nas próximas décadas. Pleno produto de seu tempo e um passo á frente da maioria dos artistas de mesma época.

Guilherme Rodrigues Continuar lendo

5 Comentários

por | 1 de abril de 2013 · 21:19

Mountain – Climbing! (1970)

Mountainclimbing

Moutain foi a banda de Rock Psicodélico que lançou a clássica faixa “Mississippi Queen”. É praticamente um hino do gênero ao qual pertence, e não conhecê-lo é um completo atestado de que o sujeito precisa conhecer um pouco mais a vida. Por outro lado, é espantoso saber que o grupo nunca teve um grande público; hoje, contenta-se com a fama de “Cult”, ao lado de coisas lindas como o Velvet Underground.

O seu debut, o álbum Climbing!, já começa nos fazendo formar um largo sorriso de orelha à orelha: a tão famosa faixa nos dá as boas-vindas. Mas o bom é sair da zona de conforto e ouvir o disco até o final; e acreditem: é impossível abandoná-lo – o disco nos abandona sozinho, alimentando a nossa vontade por mais. O que encontramos ao longo da execução é um punhado de ideias chapadas, utilizando instrumentos tão caros ao universo caótico do Rock para justamente formar um ambiente de sossego. Não por acaso, o grupo tocou no Festival de Woodstock; os hippies certamente “viajaram” muito ao som apresentado aqui, dotado de marcantes vocais crus/linhas de guitarra de Leslie West que são posto(a)s em primeiro plano, acompanhados quase de forma onírica (talvez o principal motivo de tamanha “viajem” proporcionada pelo som) pelo baixo de Felix Pappalardi (que foi produtor do grande Cream) e pela bateria de Corky Laing.

A banda perfeita para cair nas graças da mídia, ao lado do Led Zeppelin e cia? Poderia ser – mas nunca foi. Mas o tempo até que foi justo de deu a esta um espaço na história da música.

Victor Ramos

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