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Gun Club – Fire of Love (1981)

Gun Club - Fire Of Love  (1981)

Nascido no Texas, o vocalista e guitarrista Jeffrey Lee Pierce formou o Gun Club, em Los Angeles, inspirado pelo “voodoobilly” dos Cramps, no blues de Robert Johnson, nos ritmos de pântano de Louisiana, as dialética escuras e sensuais de Jim Morrison, e na cena hardcore da Califórnia. O desfile de tirar o fôlego de Fire of Love (1981) virou demoníacas rock’n’roll “rave-ups”, embaralhada em blues-rock hipnóticos e afetados misturados com sombrias baladas country-rock. O vocabulário musical de blues, country e rock foram utilizados para alimentar a febre intermitente que consumiu a mente de Pierce, uma febre que se originou a partir de forças obscuras e fantasmas interiores. De contramão a estereótipos e incursões básicas, Pierce e sua gangue conseguiram um equilíbrio mágico de suspense e desespero. Gun Club foram mais do que a expressão da raiva niilista: sua música incorporava uma busca metafísica do sentido da vida. Como ele não pôde encontrá-lo, o cantor gritava e a banda rugia, se aventurando mais e mais no colapso nervoso de Pierce (que era realmente o colapso de toda uma geração).

O album Fire Of Love (Ruby, 1981), é um complexo transfigurado blues em ataques satânicos para velocidades supersônicas, se assemelha a uma dança selvagem ao ritmo acelerado. O vocabulário de todo o som de blues é colocado ao serviço de uma febre, que se origina das forças das trevas e fantasmas internos que minam a mente de Pierce. Sex Beat, que em um ritmo rápido e com um riff crescente são os impulsos e frustrações mais obscenos sendo o manifesto de seu horror thrash-blues-porn. For The Love Of Ivy é um exercício de suspense e explosões de hardcore sempre retido, onde sobem as qualidades dramáticas de Pierce. Ghost On The Highway é uma balada imprudente, uma música country cheia de paletas com a violência das gangues de rua. O ápice do entusiasmo e emoção é talvez She`s Like Heroin to me, um epiléptico e brutal punk-rock, um desordeiro da quadrilha que a distorção da guitarra continuou violenta sem piedade, enquanto o grito e verborragia soam ao vento de seu erótico desespero.

As composições são selvagens, estridentes que atingem a borda do delírio, no entanto, são capazes de tocar o mal épico em tons de sua marcha. O tema se estende principalmente no rock and roll e hipnótico de Fire Spirit. Sempre esculpida em aceleração supersônica, as canções de blues, como Black Train e Goodbye Johnny aproximou o misticismo de horror em um habitat primordial. A fúria ímpeto de seu ritual perverso alimenta a imaginação do anarquista punk mais famoso que perdeu tanto o desejo dos Sex Pistols como o humor irreverente dos Cramps, para ceder aos impulsos epidérmicos de sexo e morte e  impulsioná-los a excessos ainda mais pagãos.

Pierce canta de condenação cada vez mais atroz, em uma corrida de tirar o fôlego típico de autodestruição, não antes de se afogar em sua consciência e auto- complacência de horror, de algo podre e infernal. Pierce confessa a sua impotência desesperada, mas às vezes seu lamento é tão furioso que balança para jogar heroico. O som fica furioso e barroco, sem desfocar: assimilou e misturou do todo o arsenal sonoro do Sul, em uma música-punk.

Guilherme Rodrigues

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