Arquivo da tag: Música Brasileira

Claustrofobia – Claustrofobia (2000)

697493

O trabalho apresentado aqui (álbum homônimo), pelo Claustrofobia, é de proposta extremamente fechada e para um momento específico: quebrar tudo. É um trabalho feito pela crueza do som (principalmente no sentido da pegada direta, linear) e das letras de cunho político-social.

E é extremamente maduro em sua proposta de querer ser um álbum pesado, agitador de um ambiente calmo, mas nem por isso abandonando o seu compromisso com a realidade. É como se fosse o Sepultura no início de sua fase Death Metal, só que filtrado, selecionando o que eles tinham de melhor, descartando a luta infantil (e de fato era infantil, tendo em vista que os integrantes eram muito novos e pouco tinham consciência social – a não ser a pura revolta) em busca de chocar a sociedade seguidora de Cristo e substituindo-a pelo lado sujo do Brasil.

Claustrofobia choca mesmo é pela realidade, sem apelar a um pentagrama ou a uma cruz de cabeça para baixo. Incrível notar que toda essa maturidade já podia ser vista no primeiro álbum da banda, que, apesar de não apresentar todo um refinamento digno dos maiores álbuns do Thrash Metal (lembrem-se sempre de Kill ‘Em All, por exemplo) e ser limitado em sua sonoridade (ainda assim: uma limitação que encontra o seu lugar ao sol nos momentos oportunos), agrada bastante.

Victor Ramos

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Resenha

Os Mutantes – Os Mutantes (1968)

album-mutantes

Que Os Mutantes é um dos mais importantes álbuns da história da música brasileira, não é novidade; e seu título não é por acaso: trata-se da estréia do grupo homônimo, de onde Rita Lee saiu e formou a sua carreira solo.

Mas vale salientar que todo o rumor positivo que paira em torno deste não é balela; claro que não – o tempo está aí como prova. É um trabalho inteligente, alucinante e visceral, talvez o ápice da Tropicália. Reúne e define todas as características daquele movimento, com experimentalismos diversos e um tom psicodélico, utilizando a fala associada à escrita, porém em função da sonoridade – a onomatopeia, sobretudo.

O álbum engole elementos da cultura estrangeira, mesclando-os a elementos da cultura brasileira e criando algo genuinamente brasileiro. É como se estivesse engolindo elementos estrangeiros para justamente vomitá-los, algo bastante compreensível quando se tem em mente o fato de que o Regime Militar imperava naquela época.

Divertido, maravilhoso, reflexivo. Subliminar, acima de tudo. Se ainda não ouviu este ataque sonoro de outro mundo, não perca nem mais um segundo e ouça aqui mesmo, neste post.

Victor Ramos

Continuar lendo

2 Comentários

Arquivado em Resenha