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Slint – Spiderland (1991)

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Slint foi um dos grupos mais influentes de seu tempo. O grupo foi formado através do trabalho do guitarrista Brian e o baterista Britt Walford, com Ethan Buckler na base e David Pajo na segunda guitarra. O grupo gravou algumas sessões em 1987 com Steve Albini, que não seriam “trazidos à luz” até dois anos depois. Seu som era algo completamente novo: não era exatamente o ácido-rock, embora o espetáculo se assemelhasse na abordagem de forma livre, não era rock progressivo, embora ele exibiu a mesma postura inteligente, não era heavy-metal, embora se baseou em trabalho de guitarra poderoso, não era free-jazz ou de música clássica avant-garde, embora compartilhava com eles uma propensão para estruturas novas e inovadoras.

Spiderland (Touch & Go, 1991) é uma obras-primas da história do rock. Aproveitando a partir de experiências de anos anteriores, Slint está completando uma pesquisa mais sofisticada no ritmo e na ressonância culminando com uma qualidade de som quase transcendental. Em vez de serem simples painéis abstratos, peças como Breadcrumb Trail são “narrações”, que não importam o quão complicado são e continuam num zigue-zague dramático e harmônico. A rede continuamente dilata e contrai. Don Aman se entrega a uma performance avant-garde, jogando com acordes de guitarra de tal forma que, se jogado no andamento correto, seria melodiosa, mas jogado com mais tempo e pausas irregulares, são apenas uma sequencia de acordes. O efeito é hipnótico assim como em partes acústicas New Age e com uma neurose do rock noventista. Washer, com a sua canção de ninar sussurrada, batidas doentias e desenvolvimento lento, é derivada tanto de blues “noturnos” a partir de uma matriz mais  ácida, o que chama a atenção para o “slowcore”.  For Dinner é uma ainda mais narcótica, anêmica, fervente e sonolenta.

Quase todas as peças deste delírio são os começos improvisados ​​de hard rock. Nosferatu Man é provavelmente a mais atingida por estas partidas. A última peça, Good Morning Captain, atua como um ressurgimento pequeno de todas estas técnicas elevadas, alternando-se com tons de uma guitarra cansada, com veemente percussão aos ritmos e vocais inesquecíveis. O efeito é exatamente a de um iceberg montado de um suspense trágico. Constitui uma das narrativas mais perturbadoras da história do rock moderno. Isso é o que faz Spiderland uma obra monumental, em sua capacidade de construir o rock sem reconstruir os estereótipos de seu gênero, sem recurso a sons icônicos ou códigos pré-fabricados, que sempre constituíram os principais canais de expressão rock.

Guilherme Rodrigues

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