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Mercyful Fate – Melissa (1983)

Melissa

Quem leu meu texto para Don’t Break the Oath pode ter imaginado que não simpatizo com o som do Mercyful Fate. Isso não é verdade. O texto poderia ter recebido mais alguns parágrafos, mas optei por ser direto em minha visão e isso resultou em uma avaliação curta e grossa – algo que provavelmente não é visto com bons olhos pelos apreciadores da banda.

Mas enfim, agora vos falo a respeito de Melissa, e a reação é positiva. Sim, Melissa é um ótimo álbum e não cansa, o oposto de Don’t Break the Oath (que é muito irregular), que o sucedeu. Enquanto Don’t Break the Oath soa mais como um King Diamond reinando em cima dos outros integrantes (praticamente um trabalho solo – mas sem banda de apoio), Melissa tem o diferencial de soar como uma genuína banda, em que todos os integrantes recebem o seu devido espaço.

Acasalando tudo de forma sóbria, o efeito é claro: o horror. O horror na música, claro. E a banda tem êxito aqui, com o principal destaque os sempre impressionantes vocais de King Diamond, que mais soam como um elemento instrumental (como todo vocal deve funcionar) que como a massagem de ego de Don’t Break the Oath.

As influências da NWOBHM são mais evidentes que nunca (o tom melódico das guitarras aliado ao contrabaixo que acolchoa a agulhada), inclusive na própria performance de King Diamond. Em meu conceito, o primeiro álbum é o melhor da banda, e este, claro, é Melissa.

Victor Ramos

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Black Sabbath – 13 (2013)

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Ok, vamos lá: “13” é um álbum incrível.

Não se surpreenda caso o veja constantemente nessas costumeiras listas de melhores do ano; e não digo isso por ser simplesmente Black Sabbath (até mesmo porque, por mais que seja uma das maiores bandas de todos os tempos, tem alguns pontos negativos em sua longa discografia), mas sim por ser, realmente, um disco incrível. É como se a brilhante fase de Ozzy nunca tivesse tido um fim, sendo este disco mais um belo componente desta; portanto, não seria exagero dizer que o trabalho com certeza está entre os clássicos da fase inicial.

Não tem sequer uma faixa ruim; existem as “menos boas”, estas que servem apenas para manter a boa qualidade, mas que também impedem voos mais altos – porém, sem comprometer o ótimo resultado final.

A faixa “End Of Beginning” nos dá as boas-vindas de forma brilhante, abrindo com um peso sombrio que remete à primeira faixa do debut da banda (principal responsável pela criação do Doom Metal), apostando em viradas geniais entrando em novas vaibes, descartando qualquer simplicidade ao estilo “verso/refrão/verso”; é como se estivessem misturando Black Sabbath (1970), Sabbath Bloddy Sabbath (1973) e mais alguma passagem da ampla carreira. Não soa como o Black Sabbath fazendo cover (ou reciclagem, talvez) de si próprio, mas sim o Black Sabbath buscando a sonoridade que possuía na época de Ozzy.

O que ajudou bastante foi a mão de Rick Rubin, que produziu o material. Se o toque de Rubin resultou em diversas negatividades em trabalhos como Death Magnetic (2009), do Metallica, desviando uma banda que buscava a sua essência (e convenhamos, uma banda perdida há vários anos em relação a novos materiais, o que não ajuda muito as coisas), com Black Sabbath o homem deu um toque à mais; os riffs de Iommy estão aí, bem como a inconfundível voz sombria de Ozzy e o contra-baixo gritante de Geezer Butler, e a mão de Rubin soa como um tempero à mais – casou de forma perfeita com a sonoridade do grupo. É possível sentir o peso de cada instrumento; prova disso é a faixa “God is Dead?”, em que o ouvinte certamente se pegará fazendo um air bass ao invés de realizar o clássico air guitar.

13 é muito sólido, único. Não poderia ter sido feito lá nos anos setenta, apesar de poder ser inserido facilmente entre eles – e provavelmente o será, como já foi dito -; é possível notar que 13 foi um álbum que somente o tempo poderia oferecer, como um bom vinho. E o álbum encerra com os sinos badalando, como a primeira faixa do debut se inicia. Seria Rubin apostando em um ciclo encerrado (tendo em vista que a ideia de inserir esse elemento ao final foi dele)? Sim, claro. Mas tomara que ele esteja equivocado quanto a isso, e que o Black Sabbath nos ofereça mais e mais, e com Bill Ward no seu devido lugar (que foi substituído com competência por Brad Wilk em 13, mas nada perto do que Ward fez no passado).

Victor Ramos

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Azul Limão – Vingança (1986)

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Azul Limão foi uma das primeiras bandas do puro Heavy Metal do Brasil; sim, puro Heavy Metal: o “gênero” em sua forma clássica – ou melhor: diretamente do desenvolvimento que a NWOBHM trouxe. É notável a influencia de bandas como Judas Priest e Iron Maiden, além de certo cunho social mais voltado ao Thrash Metal, que estava estourando no Brasil. Porém, por mais que exista certo foco social no álbum (como quase todo bom álbum de Metal), Vingança (o primeiro álbum da banda) é a síntese musical dos caras, que exalam amor pelo Metal (amor que pode ser testemunhado com maior força na memorável “Satã Clama Metal”, que reúne todo o clichê que o universo do Rock desenvolveu sob a leiga visão popular). Outro fator de destaque da banda, é que todas as músicas são cantadas em português; um desafio que eles pegaram com maestria e transformaram em um material de puro ouro, nada devendo a clássicos cantados em inglês.

Vingança é, do início ao fim, muito sólido. Poucos hoje conhecem, e o que resta é o título de “Cult” – dado ao fiel nicho underground apreciador do estilo; e aos que descobriram essa pérola após tempos sem ter a ideia de que essa banda existia, só resta o pensamento de: “Meu Deus… Como eu não descobri isso antes?”

É lindo. Um originalidade praticamente impecável somada a uma ousadia que faz parte do universo que permeia esse tipo de música.

Um dos grandes clássicos da cena nacional.

Victor Ramos

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Megadeth – Super Collider (2013)

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É interessante notar que o Megadeth conseguiu reencontrar a sua identidade sonora de forma bastante forte após o fraco The World Needs a Hero (2001), que soa mais como uma confusão criativa que como um “retorno às origens”; acontece que desde The System Has Failed (2004) a banda não errou a mão, a cada álbum olhando para um novo futuro – algo de se admirar em uma banda com vários anos de estrada. E Super Collider (2013) vem para reafirmar o posto que a banda conquistou (esta que encontra-se em um ótimo momento), sem medo de ousar e fazer escolhas claramente positivas.

O seu antecessor, Th1rt3en (2011), foi um bom trabalho, mas com claras fraquezas (como o fato de ser uma sombra do ótimo Endgame, de 2009) que não o permitiam ir além. E se Endgame foi forte ao fixar o contemporâneo Thrash Metal do Megadeth (fazendo uma busca principalmente no passado para construir o presente), Super Collider fixa um Megadeth isento de rótulos, mas sem nunca abandonar a sua identidade sonora e sempre respeitando o belo trabalho que o grupo vem fazendo; ou seja, fixa um Megadeth contemporâneo, e qualquer coisa saída daí é apenas consequência do talento dos caras – passeando pelo Heavy e Thrash Metal, além de flertar com o Hard Rock, sempre com lucidez.

Mas é claro, o fato de Super Collider ser moderno não significa que é um álbum cheio de frescuras; o ouvinte, ao ter contato com o trabalho, não terá dúvidas de que este é um autêntico álbum de Metal, dotado de peso natural que faz justiça à maturidade dos integrantes da banda – com o maior destaque de todos para Dave Mustaine, claro.

Todas as faixas são boas, apesar de duas em especial soarem fracas em comparação ao resultado final do conjunto total: “Built for War” e “The Blackest Crow”. No conceito de vários, a faixa-título também entraria na fila; mas se apreciada com atenção em contra-peso com o lado mais pesado do álbum, ela soa como uma peça fundamental em relação ao outro lado da complexidade musical (já que trata-se de uma canção simples e bastante memorável), como se fosse a trilha sonora para quem quiser se esquecer dos problemas mundanos e cair na estrada sem rumo; mas os fãs mais tradicionais podem ficar aliviados: a canção Super Collider não é tida como o tema geral desta obra. O álbum soa pesado, relevante e importante. Importante porque, como já foi dito, Super Collider reafirma a atual fase do Megadeth, capaz de agradar a fãs antigos e conquistar novos.

Victor Ramos

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Black Sabbath – Born Again (1983)

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Provavelmente o mais subestimado álbum do Black Sabbath, e também o mais interessante da carreira do grupo (isso envolvendo as histórias por trás dos bastidores), Born Again (1983) tem um sopro forte de presença. Isso porque as novidades aqui não param, e quase todas elas vêm de Ian Gillian, o “eterno” vocalista do Deep Purple. Sim, Ian Gillian, que veio como o terceiro vocalista da história do Black Sabbath, entrando após a saída do sempre excelente Ronnie James Dio. Born Again é um álbum energético, diversificado e evoluído; tem todas as características intrínsecas do grupo, mas sem prender-se ao passado. De Ian Gillian podemos notar os sempre excelentes vocais afinadíssimos, além de certa pegada oriunda do Deep Purple.

Born Again soa como a separação de dois mundos sob várias interpretações: o bem e o mal; Deep Purple e Black Sabbath; etc. Como sempre, Iommy esbanja o seu talento como a máquina de riffs que ele sempre foi, além de Geezer Butler, um baixista em um milhão, marcando a sua presença extremamente notável; a parte instrumental revela um tom maléfico, algo típico da música sabbathiana, em contrapeso com o lado até elegante de Gillian. Mas não existe apenas o lado da porrada; há espaço até mesmo para uma baladinha, a que dá o título do álbum: Born Again.

Esse álbum pode não ser tão sólido quanto a fase inicial com Dio, ou a fase com Ozzy; mas é repleto de peso e tem o seu destaque envelhecendo como um bom vinho.

Victor Ramos

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Diamond Head – Lightning to the Nations (1980)

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O ano de 1980 foi provavelmente o ápice da NWOBHM (que foi muito mais que um movimento musical; tornou-se um subgênero do Heavy Metal). Saxon começa a mostrar vida, Judas Priest é finalmente lançado aos ares com British Steel, o Iron Maiden lança o seu incrível debut e o Diamond Head aparece com o incrivelmente espantoso Lightning to the Nations.

Diamond Head é uma das muitas bandas que exerceram bastante influência em cima de posteriores (como não poderia deixa de ser) gigantes do Metal, como o Metallica – que faz o cover da excelente música “Am I Evil” desde o início de sua carreira. E aos que ainda não conhecem o grupo, é bom que se aventurem o quanto antes pelo álbum Lightning to the Nations, que é uma obra-prima.

O ouvinte é fisgado já na primeira vez, que já pode terminar a audição catarolando alguns refrões e riffs. E o restante, claro, é consequência.

Incrível noção musical; bastante técnico, mas nem por isso algo imaculado. É um puro exemplar do Metal, o que faz dele algo sujo por natureza. Crucial.

Victor Ramos

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Metallica – Death Magnetic (2008)

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Muitos passaram a odiar a trabalho do Metallica a partir do Black Álbum, e por pura besteira. Ou imaturidade, melhor falando. A massa de fãs extremistas que a banda conquistou a longo do início de sua carreira são soube aceitar os diversos experimentalismos que foram se destacando com a evolução sonora; o que recebemos daí são dois trabalhos injustiçados, os álbuns Load e Reload. Vale inserir St. Anger nesse pacote de experimentalismos, ainda que seja um disco de qualidade bastante duvidosa.

E então, cinco anos após o último álbum, o Metallica lança o Death Magnetic, apresentando a imagem de certo resgate das raízes da banda. Mas não há resgate algum, bem como não há evolução alguma. O que o grupo vinha fazendo na década de 90 (principalmente) poderia ser levado como indício de um futuro definitivo; parecia mais como uma espécie de estudos sonoros, ao invés de álbuns definitivos do Metallica. Com a chegada de Death Magnetic, a primeira pergunta que me veio à mente foi: “Esse foi o resultado de toda aquela busca em Load, Reload e St. Anger?”

Death Magnetic soa cansado, deslocado dentro de sua própria proposta; um disco que parece ter sido criado no improviso, sem inspiração inicial e que foi arriscando uma inspiração improvisada. Como resultado de todo esse “risk” (com o perdão do trocadilho), o que recebemos é um disco bastante irregular – de respeito, sim, mas irregular -, e o exemplo mais claro disso é a faixa instrumental “Suicide & Redemption”, que possui mais de nove minutos e, ao longo de sua longa duração, não encontra explicações para a sua existência.

Mas Death Magnetic tem coisas boas, como “The Day That Never Comes”; porém, num todo soa como se a banda estivesse estagnada e não tivesse saído de sua fase de “aprendizado”. Um disco que não revela futuro algum; apenas um passado pouco produtivo dentro de si próprio.

Além, claro, de um James Hetfiel mais técnico e com pouco carisma. Aliás, Hetfield nunca teve uma grande voz; ele soou bem para o gênero ao qual pertence com aquela voz agressiva e rasgada dos anos 80. Ok, sei que ele modificou o seu método de canto para não prejudicar a sua voz; mas isso, para um ouvinte, não funciona como uma desculpa para o resultado final sem carisma e totalmente incompatível com a sua faceta.

Victor Ramos

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