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Candlemass – Epicus Doomicus Metallicus (1986)

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Não é por acaso que Candlemass é a mais famosa banda de Doom Metal, subgênero tão rico e subestimado que nasceu pelas mãos do Black Sabbath. Oras, Candlemass evoluiu o aprendizado que recebeu principalmente do Black Sabbath; eles lapidaram e transformaram o Doom Metal no subgênero que ele é hoje, e não simplesmente repetindo os embriões que o Sabbath tinha liberado, como muitas bandas o fizeram – e ainda o fazem.

Epicus Doomicus Metallicus é incrível, pois é um debut e, facilmente, um dos melhores álbuns de Metal já produzidos na história da música; em suma: uma obra-prima. A peculiaridade abre o disco e podemos ter a clara noção da grandiosidade do Candlemass como banda com a faixa – maravilhosa, por sinal – Solitude. É possível sentir o peso, a melodia de funeral, mas nunca o tédio; muito pelo contrário: a fascinação pela obscuridade que toma o clima. E Solitude na verdade abre as portas para o que o álbum será dali em diante.

Os integrantes são ótimos em suas devidas tarefas. Os vocais de Johann Langquist são um atrativo à parte, com uma versatilidade invejável que compõe uma incrível performance nos quarenta minutos de Epicus Doomicus Metallicus; assim como as guitarras, a bateria (que irei discutir em breve) e o baixo, eles transmitem dor e uma fúria sufocada. A trilha sonora perfeita para qualquer filme de horror.

A bateria, outro atrativo à parte, mostra que não está ali para simplesmente acompanhar o choro dos outros instrumentos: ela tem vida própria e, de forma surpreendente para os que estão acostumados com o Doom Metal mais arrastado, rápida – o pedal duplo é utilizado, por exemplo. Mostra que, para um clima de ansiedade, não é necessário caminhar a passos extremamente lentos, e muito menos de que o Doom Metal é feito disso; o segredo real está na forma materializada da música, onde todos os instrumentos se casam e soam como uma sinfonia de desespero e não menos divertida.

Sólido. Todas as faixas merecem crédito.

Victor Ramos

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Black Sabbath – 13 (2013)

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Ok, vamos lá: “13” é um álbum incrível.

Não se surpreenda caso o veja constantemente nessas costumeiras listas de melhores do ano; e não digo isso por ser simplesmente Black Sabbath (até mesmo porque, por mais que seja uma das maiores bandas de todos os tempos, tem alguns pontos negativos em sua longa discografia), mas sim por ser, realmente, um disco incrível. É como se a brilhante fase de Ozzy nunca tivesse tido um fim, sendo este disco mais um belo componente desta; portanto, não seria exagero dizer que o trabalho com certeza está entre os clássicos da fase inicial.

Não tem sequer uma faixa ruim; existem as “menos boas”, estas que servem apenas para manter a boa qualidade, mas que também impedem voos mais altos – porém, sem comprometer o ótimo resultado final.

A faixa “End Of Beginning” nos dá as boas-vindas de forma brilhante, abrindo com um peso sombrio que remete à primeira faixa do debut da banda (principal responsável pela criação do Doom Metal), apostando em viradas geniais entrando em novas vaibes, descartando qualquer simplicidade ao estilo “verso/refrão/verso”; é como se estivessem misturando Black Sabbath (1970), Sabbath Bloddy Sabbath (1973) e mais alguma passagem da ampla carreira. Não soa como o Black Sabbath fazendo cover (ou reciclagem, talvez) de si próprio, mas sim o Black Sabbath buscando a sonoridade que possuía na época de Ozzy.

O que ajudou bastante foi a mão de Rick Rubin, que produziu o material. Se o toque de Rubin resultou em diversas negatividades em trabalhos como Death Magnetic (2009), do Metallica, desviando uma banda que buscava a sua essência (e convenhamos, uma banda perdida há vários anos em relação a novos materiais, o que não ajuda muito as coisas), com Black Sabbath o homem deu um toque à mais; os riffs de Iommy estão aí, bem como a inconfundível voz sombria de Ozzy e o contra-baixo gritante de Geezer Butler, e a mão de Rubin soa como um tempero à mais – casou de forma perfeita com a sonoridade do grupo. É possível sentir o peso de cada instrumento; prova disso é a faixa “God is Dead?”, em que o ouvinte certamente se pegará fazendo um air bass ao invés de realizar o clássico air guitar.

13 é muito sólido, único. Não poderia ter sido feito lá nos anos setenta, apesar de poder ser inserido facilmente entre eles – e provavelmente o será, como já foi dito -; é possível notar que 13 foi um álbum que somente o tempo poderia oferecer, como um bom vinho. E o álbum encerra com os sinos badalando, como a primeira faixa do debut se inicia. Seria Rubin apostando em um ciclo encerrado (tendo em vista que a ideia de inserir esse elemento ao final foi dele)? Sim, claro. Mas tomara que ele esteja equivocado quanto a isso, e que o Black Sabbath nos ofereça mais e mais, e com Bill Ward no seu devido lugar (que foi substituído com competência por Brad Wilk em 13, mas nada perto do que Ward fez no passado).

Victor Ramos

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