Arquivo da tag: 1984

Butthole Surfers – Psychic Powerless (1984)

Image

Durante os anos 1980, a cena psicodélica do Texas foi relativamente moderada, quase um prenúncio do dilúvio psicodélico da década seguinte. As bases foram estabelecidas pelo demente hiper-psicodélico punk-rock de Butthole Surfers, uma das maiores bandas dos anos 1980. Gibby Haynes (vocal) e Paul Leary (guitarra) prepararam uma síntese de punk-rock do Sex Pistols, do “acid rock” de Red Crayola e do “acid-folk” de Holy Modal Rounders.

O primeiro álbum, Psychic Powerless (TouchAndGo, 1984), vem para confirmar sua natureza histriônica anarco-existencialista. Um delírio completamente desequilibrado (se assemelha a um recital de gritaria distorcida por filtros), cacofonia aguda (uma descarga contínua de distorções galácticas) e um tom épico/ apocalíptico (o ritmo, sempre fúnebre do baixo). Todos esses elementos fundem-se em Concubine, uma espécie de balada pós-industrial a lá Pere Ubu. Ainda temos o ruído brutal e demente atingindo alturas de vulgaridade pesadas em Lady Sniff, que possui uma das melhores vocalizações de todos os tempos por parte de Gibby Haynes com direito engasgos, arrotos e cuspes. Dum Dum que possui um ritmo voodoo-tribal com um solo de guitarra distorcida e empolgante, o pop-jazz de Negro Observers, o rock infernal de Mexican Caravan (com convulsões grandes de guitarras), o hardcore epiléptico de Gary Floyd onde a influência de Chrome e Red Crayola é evidente nos ruídos androides e no turbilhão de Eye Of The Chicken. Vale destacar também o ritmo veemente de Cowboy Bob (onde os crescentes gritos de morte chegam a criar um clima único) e Cherub, uma sonata de tempo para efeitos de guitarra psicodélicos que faz mutações hediondas sempre cheias de um ruído. Ou seja, o álbum é um complexo selvagem de avant-garde, hardcore e psicodelia que sempre reserva ritmos insanos e delírios macabros.

Guilherme Rodrigues

Continuar lendo

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Resenha

Mercyful Fate – Don’t Break the Oath (1984)

Don't_Break_the_Oath

Provavelmente o álbum mais superestimado de toda a história do Metal. Don’t Break The Oath, do Mercyful Fate (banda da “lenda” King Diamond), é um pé no saco.

O destaque do álbum é a voz de King Diamond, fazendo diversas alternâncias ao longo da execução. Ok, Ok, existem muitas coisas boas aqui. Canções realmente criativas, antológicas, e com um vocalista de muito talento que muda facilmente do que parece ser um falsete para outras tonalidades – de grunhidos a gritos. Mas como o destaque são os vocais (não que isso seja um demérito [é só notar na carreira de Ronnie James Dio], mas no caso do Diamond é algo totalmente diferente), o que recebemos de presente do disco é um senso performático muito entediante. É como se o disco fosse uma reunião ininterrupta das loucuras vocais de alguém.

A impressão que dá é que o Diamond não está querendo dar emoção às suas faixas, mas sim mostrar ao mundo o quão louco ele pode ser como vocalista; simples assim. Um versátil apreciador da boa música provavelmente jamais irá ouvir um álbum para presenciar uma simples massagem de ego por parte de seu frontman; o que ele espera é a música e as várias emoções que ela despertará em seu ouvinte. O problema de Don’t Break The Oath é que, após muita caminhada, não se sabe exatamente o tipo de emoção desejada em relação ao som executado, apesar da carga significativa das letras.

É fato que este disco influenciou vários artistas do gênero; mas muitos destes conseguiram lapidar (assim criando algo mais palpável e interessante) o aprendizado que receberam aqui – como podemos reparar no debut da banda Ghost, o Opus Eponymous.

A banda foi praticamente uma banda de apoio do King Diamond – ou seja, praticamente um trabalho solo seu.

Victor Ramos

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Resenha