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Mercyful Fate – Melissa (1983)

Melissa

Quem leu meu texto para Don’t Break the Oath pode ter imaginado que não simpatizo com o som do Mercyful Fate. Isso não é verdade. O texto poderia ter recebido mais alguns parágrafos, mas optei por ser direto em minha visão e isso resultou em uma avaliação curta e grossa – algo que provavelmente não é visto com bons olhos pelos apreciadores da banda.

Mas enfim, agora vos falo a respeito de Melissa, e a reação é positiva. Sim, Melissa é um ótimo álbum e não cansa, o oposto de Don’t Break the Oath (que é muito irregular), que o sucedeu. Enquanto Don’t Break the Oath soa mais como um King Diamond reinando em cima dos outros integrantes (praticamente um trabalho solo – mas sem banda de apoio), Melissa tem o diferencial de soar como uma genuína banda, em que todos os integrantes recebem o seu devido espaço.

Acasalando tudo de forma sóbria, o efeito é claro: o horror. O horror na música, claro. E a banda tem êxito aqui, com o principal destaque os sempre impressionantes vocais de King Diamond, que mais soam como um elemento instrumental (como todo vocal deve funcionar) que como a massagem de ego de Don’t Break the Oath.

As influências da NWOBHM são mais evidentes que nunca (o tom melódico das guitarras aliado ao contrabaixo que acolchoa a agulhada), inclusive na própria performance de King Diamond. Em meu conceito, o primeiro álbum é o melhor da banda, e este, claro, é Melissa.

Victor Ramos

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Black Sabbath – Born Again (1983)

Born+Again++Cover

 

Provavelmente o mais subestimado álbum do Black Sabbath, e também o mais interessante da carreira do grupo (isso envolvendo as histórias por trás dos bastidores), Born Again (1983) tem um sopro forte de presença. Isso porque as novidades aqui não param, e quase todas elas vêm de Ian Gillian, o “eterno” vocalista do Deep Purple. Sim, Ian Gillian, que veio como o terceiro vocalista da história do Black Sabbath, entrando após a saída do sempre excelente Ronnie James Dio. Born Again é um álbum energético, diversificado e evoluído; tem todas as características intrínsecas do grupo, mas sem prender-se ao passado. De Ian Gillian podemos notar os sempre excelentes vocais afinadíssimos, além de certa pegada oriunda do Deep Purple.

Born Again soa como a separação de dois mundos sob várias interpretações: o bem e o mal; Deep Purple e Black Sabbath; etc. Como sempre, Iommy esbanja o seu talento como a máquina de riffs que ele sempre foi, além de Geezer Butler, um baixista em um milhão, marcando a sua presença extremamente notável; a parte instrumental revela um tom maléfico, algo típico da música sabbathiana, em contrapeso com o lado até elegante de Gillian. Mas não existe apenas o lado da porrada; há espaço até mesmo para uma baladinha, a que dá o título do álbum: Born Again.

Esse álbum pode não ser tão sólido quanto a fase inicial com Dio, ou a fase com Ozzy; mas é repleto de peso e tem o seu destaque envelhecendo como um bom vinho.

Victor Ramos

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