Sodom – Obsessed by Cruelty (1986)

Obsessed+by+Cruelty

 

Sodom foi a banda que me fez ter contato com o Thrash Metal alemão, tenho ótimas lembranças relacionadas a essa incrível banda. Falando nisso, me lembro que acreditava que In The Sign of Evil (o famoso e lendário EP, diga-se de passagem) tinha sido lançado após o primeiro álbum da banda. Isso porque jamais imaginaria que Obsessed by Cruelty poderia sair após o que foi feito em In The Sign of Evil. Calma, eu explico: normalmente as bandas buscam evoluir tecnicamente, a cada lançamento, suas qualificações sonoras, e desse modo construí uma pequena suposição de que In The Sign of Evil era limpo demais para ser lançado antes do Obsessed by Cruelty. Obsessed by Cruelty tem cara de sujeira; é um assassino que toma banho de sangue e vai dormir assim. Só que a surpresa veio com o tempo, a velha questão de “mais cedo ou mais tarde” (poderia ter sido mais cedo, mas como sou mané deixa para lá): Obsessed by Cruelty veio depois, obviamente.

A coisa aqui é linda, uma porradaria linda. Se a própria sonoridade do Sodom não deixa espaço para ouvidos de manteiga, em Obsessed by Cruelty encontramos o ápice desse conceito. O álbum é Black Metal, verdade seja dita. É um Black Metal da primeira onda, algo que por si só garante a ele características de Thrash e de Death Metal.

Sempre preferi o tipo de Metal feito por alguns outros países específicos fora os EUA. A Alemanha é um dos pólos que mais gosto, ao lado de nosso Brasil; isso porque existia nesses caras um senso de destruição incrível, maior que a cena thrash da Bay Area, por exemplo. Havia pouco interesse na musicalidade em si. A coisa mesmo era usar a música como instrumento para passar a fúria, e o resto era consequência. Isso também é herança do Hardcore. Outro ponto é a questão do inglês, que amo… A marca do sotaque na pronúncia do inglês por bandas alemãs, brasileiras etc sempre me deixa impressionado, pois quase sempre contribui com o conceito de fúria ao cuspir todas essas letras para o mundo por meio de uma língua que não é materna. Não trata-se de um posicionamento político, afinal nenhum idioma é instrumento político (se alguém utiliza como tal, aí já é outra coisa), mas sim instrumento de comunicação humana.

Obsessed by Cruelty comunica, e muito. Foi um dos responsáveis pela conhecida selvageria do Metal da Alemanha, e um dos álbuns que fazem parte da lista “Falando em influências no Black Metal sem citar Bathory”. Afinal, Obsessed by Cruelty, assim como I.N.R.I. (do Sarcófago), Bloody Vengence (do Vulcano) e etc, mostra que o mundo não é feito apenas de Bathory e Venom.

Por Victor Ramos

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