Suicide – Suicide (1977)

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O espírito do “Blank Generation” tomou conta de Manhattan com Suicide que começou a girar seus contos de neurose insuportável. A dupla, nos teclados (Martin Rev) e vocais (Alan Vega), reinventaram o line-up da banda de rock, com os teclados eletrônicos substituindo seção rítmica e o instrumento principal. Sucide (1977), um dos marcos do new wave, enxertados as modulações infinitas de minimalismo em uma batida rockabilly febril denominando-se assim “psychobilly”. Vocals moribundos de Vega perseguido por fantasmas através de uma angústia urbana que era um parente próximo do Velvet Underground. Eles penetram sobre o apocalipse individual e coletivo, representando almas e dores solitárias em um cenário gótico cheio de medo, paranóia e claustrofobia.

O debut Suicide (Red Star, 1977) (reeditado em 1981 com material inédito) é um álbum de revelação musical, e é um dos pilares do new wave. As músicas incluídas são delírios de um suicida caminhante em labirintos metropolitanos. Eles são exercícios de auto-flagelação que atingem um pathos paranóico através de uma catalepsia monolítico e existencial. A pequena, mas implacável textura sonora é subitamente perfurada por desesperadas, gritos horripilantes que surgem do nada, amorfo, e se agarram às paredes de arranha-céus sem fim. A música é repleta de refrigeração dos gemidos que se propagam através de efeitos de eco, evocativa e alucinatória, prevendo, por meio de sussurros em catacumbas, a morte da humanidade.

Sua obra-prima é um lamento que conduz os impulsos das ruas movimentadas em silêncio glacial, o tribalismo cósmico de Rocket USA, a síncope esmagamento de Ghost Rider, o rockabilly psicótico de Johnny, o lascivo gemidos Girl;. As músicas são cadavéricas, feitas de longos silêncios, ofegantes, pulsações geladas do Rev, produzindo uma atmosfera de intensidade quase religiosa. A banda se dividia entre as histórias “fatais” e jogos políticos, criou um glossário que não dá misericórdia para com a condição humana. Frankie Teardrop é o maior pesadelo dentre os pesadelos, uma espécie de Sister Ray (Velvet Underground) do milênio. Seu ritmo alucinante é possuído pela história da ruptura na consciência de um pai metropolitano da subclasse e atrofiado. É um maníaco, uma projeção egoísta brilhante em uma tela escura, e passa por uma sequencia de sons de ruído tornando-se cacofonia que ecoa no final, uma carga de dinamite explodindo em câmera lenta. O suspense do drama é mantido por Vega, cuja voz é quase casual, ainda tenso e tremendo. Ele faz uma pausa entre o ruído interminável espalhados aleatoriamente, desconexo gritando toda a sequencia final de ecos e cacofonia, o que torna ainda mais assustador. É uma das músicas mais sombrias e angustiantes em toda a história do rock. Suicide representou a atitude típica dos intelectuais do metrô de Manhattan, na virada da década: ir à deriva nos turbilhões de emoções reprimidas, liberando o ardor oculto sob uma aparente imperturbabilidade.

Guilherme Rodrigues

Álbum completo:

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