Joanna Newsom – Have One On Me (2010)

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A duas horas de tour de force de Have One On Me (Drag City, 2010) foi justificada não por uma ampla paleta estilística, mas por um aprofundamento de sua própria psique.  A contribuição de Newsom é a rica tradição da introspectiva fêmea “singer-songwriters” com a rica tradição da canção avant-garde. Ela oferece meditação mergulhando na indiferença profunda de Joni Mitchell, segue os passos de Lisa Germano e Kate Bush na rima infantil e tem propriedade de música renascentista austera e até de ópera. Se existe uma definição para o trabalho realizado por Newsom certamente é a de “psych folk” com seus lentos andamentos, psicologia confusa e abatida e grande trabalho vocal. Cansativo, embora recompensador, temos aqui o mais alto patamar musical alcançado por um artista de nosso tempo.

A alma do álbum se concentra nas canções compridas e psicologicamente abaladas: os 11 minutos de Have One On Me é um exercício de criação e dissolução do caos, do modo que começa tranquilamente na veia de música de câmara neoclássico e do cool jazz, mas lentamente vai se acumulando, amplificando a efervescência e multi voz com o som avant-garde de fundo. Good Intentions Paving Company é boa para tocar nas rádios e explora um ritmo mais harmonioso com sua voz trêmula, funciona quase como uma brincadeira. Baby Birch com seus acordes crescentes que culminam numa espécie de tradição chinesa acompanhado estilosamente por uma guitarra distorcida ao fundo, In California que se transfigura numa mutação trágica cheia de lamentações, Esme é mais expansiva e rápida, ancorando-se a uma forte melodia e assemelhando-se a uma fantasia. Ribbon Bows  funciona em torno de outra melodia emocionante, transformando o popular em operístico. O álbum termina com o sentimento espiritual ao piano desencadeado por Does Not Suffice, momento onde tudo se desintegra e se assemelha a um conto de fadas.

Obs: recomendo escutar o álbum em três partes (aproximadamente 35 mim cada uma) e descansar pelo menos 10mim entre cada parcela, assim fica mais fácil aproveitar o profundo impacto emocional das longas canções.

Guilherme Rodrigues

Álbum completo: 

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