Third Ear Band – Third Ear Band (1970)

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Nenhuma banda da década de 1960 e 1970 alcançou o grau de fusão étnico que a banda Third Ear alcançou. Aqui a música está mais perto do Budismo e da meditação do que à composição ocidental. A Banda Third Ear também não foi a primeira a compor um disco inteiro onde a música oriental derrete-se na música ocidental (pelo menos Paul Butterfield já havia feito com seu East West, 1966), mas os seus membros foram os que fizeram a luz de espírito hippie/ psicodélico, ou com uma ruptura radical dos estereótipos da música popular (blues, jazz, rock). Seu principal mérito foi a utilização desses elementos de inspiração para inventar uma nova linguagem que aspirava a ser universal (e não apenas uma colagem de idiomas). Sua grande importância é exatamente a de cancelar a hipocrisia codificada e esquemática da maior parte da música ocidental, e dentro do seu estilo, mergulhar numa profusão de ritmos e tons tornando a música um veículo para a meditação e oração.

A Banda Third Ear nasceu em 1967 no meio psicodélico UFO Club, inicialmente sob o nome Giant Sun Trolley, e depois Hydrogen Jukebox. A equipe permanente era composta de tablas (Glen Sweeney), oboé (Paul Minns), viola (Richard Coff) e Violoncelo (Mel Davis). Esta formação anormal foi o produto sugestivo de uma cultura hippie que tinha descoberto a espiritualidade oriental e buscou novos meios de expressão. A música da banda se originou a partir de um conceito esotérico de mundo e foi concebida como uma tentativa de descobrir o significado do universo de voltar às raízes da experiência humana e, portanto, as mais antigas civilizações. Misticismo oculto e folclore exótico, a alquimia de civilizações distantes no espaço e no tempo, a magia cerimonial e etc.

Third Ear Band (Harvest, 1970 – Gottdiscs, 2005) é o segundo álbum e uma das grandes obras-primas do rock psicodélico/ progressivo, e vai ainda em mais escala para o aspecto “étnico” fornecendo um caráter ainda mais “abstrato” às composições, que de fato parecem pertencer mais à música de câmara à música popular, e mais ao jazz do que ao rock. As quatro suítes do disco (dedicado aos quatro elementos da filosofia grega antiga) são um conjunto de plena formulação: os seus trabalhos espirituais eliminam a ingenuidade e traçam um caminho tortuoso através de um som vanguardista e primitivismo. A qualidade de Air é etérea e descoordenada e Water é igualmente abstrata e inconclusiva, embora desta vez as improvisações sejam capazes de provocar reflexões vibrantes. Fire torna-se um período sabático de ruído caótico e contínuo. Earth talvez seja a peça mais marcial e agressiva, toma emprestado de uma progressão cigana de dança folclórica rodando com instrumentos de corda que voam em todos os crescendos com o oboé e a viola de modo que o resultado final pode facilmente ser comparado a alguma evocação espiritual.

Guilherme Rodrigues

Album completo:

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